
Plano piloto, L2 norte, 405
Guilherme estava sentado do lado da mesinha do computador, no chão, encostado na parede com o pé forçando a porta para que não abrisse, apenas precaução, para não ser incomodado por pouca coisa, colocava a mão na cabeça e no rosto esfregando-os bem como se estivesse cansado, estava com uma enorme olheira, e um pouco pálido, desde que voltara daquela aventura não descansara, Jessyca estava na sala junto com os outros, fora da janela o dia era pleno, mas a cidade continuava um caos, aqueles grunhidos continuavam a se manifestar de um jeito que conseguia gelar a alma de cada um naquela casa. Estava cansado, ou desiludido, Fizera tanto esforço para tirar ela daquele ônibus, e agora não conseguia ter uma idéia se quer, para tirar seus amigos dali vivos, ou pelo menos em sã consciência, ele apoiava os braços no joelho e então olhou para o teto.
Na sala, o rapaz com os cabelos meio lisos, e olhos puxados estava sentado encima da mesa enquanto os outros discutiam um jeito de sair da cidade, ele ficara calado por não conhecer ninguém, esperaria ate os mesmos pedirem por sua opinião, estava apenas com uma roupa preta um tanto apertada, tirou um cigarro do bolso e acendeu começando a fumar, foi então que ouviu o dono da casa.
-Ou cara, desculpa, mas fumar aqui não é permitido...
Ele então desceu da mesa e então olhou para ele com um sinal de desaprovação e se virou e foi até a porta e saiu fechando-a logo depois, o corredor era um tanto estreito, tinha logo do lado da porta uma outra para outro apartamento, logo do lado do elevador tinha um corredor que levava mais a dois apartamentos e para a escada de incêndio, a qual era única escada daquela ala de apartamentos, o rapaz foi ate a escada e percebeu alguns barulhos no apartamento ao lado, quando pensou em pegar as escadas, e foi então que parou em frente a porta e ficou a observar, virou como se fosse embora mas ouviu de novo aqueles gemidos, ele coçou o queixo e então voltou ate a porta.
-Mas que merda é essa...?
Perguntou-se e colocou a mão na maçaneta e foi abrindo a porta devagar e levantando a blusa levemente e então segurou arma presa atrás de sua calça, a segurou um pouco para baixo e então foi entrando devagar no apartamento ao lado, estava um tanto quieto, ouvia os gemidos baixos mais a frente ele continuou andando em direção ao local, viu todo aquele sangue espalhado de um lado para o outro, e viu que aquilo não ia dar um bom resultado, ele colocou a arma mais acima, e começou a abrir a porta, viu que mais sangue escorrendo e pingando pela cama e aquilo Fez seu estomago embrulhar.
-Meu deus, mas que droga...
Viu que não tinha muita coisa dentro do quarto e virou para sair dali e foi ai que sua alma gelou por completo, o rosto de uma velha gorda toda deformada, mais pela situação de decomposição, mas o que realmente estava nojento, era sua barriga imensa totalmente destroçada, a pele e seus órgãos caiam no chão como se fossem pacotes, e ela nem ao menos parava, ela então foi para cima do rapaz, e o prendou contra a parede, com o susto o disparo foi no teto, e ele apenas conseguiu colocar o braço o qual segurava a arma em frente ao seu pescoço e impedir ela que chegasse mais perto, sua força na mandíbula era inacreditável, e o odor que saia de sua boca era pior que aquela carnificina, ele tentou empurrar mas o corredor era estreito, Eric não conseguia criar mais forças pelo estomago ter tirado totalmente suas forças com aquele enjôo que sentia sentiu então algo gosmento cair seu tênis e praguejou alto, foi antão que a faca sendo enfiada na cabeça da mulher gorda, ele a empurrou com força fazendo-a bater contra a parede e cair.
-Você tá bem cara?
Perguntou Mateus olhando para o estomago da velha no chão e fazendo uma careta de nojo provavelmente, Então Eric pulou de lá e passou para traz de Mateus praguejando pelo tênis sujo e com aquela náusea que não passava.
-Ah, to sim cara, obrigado pela ajuda, essa velha escrota me pegou de surpresa...
Mateus então olhou para ele e balançou a cabeça e respirou fundo olhando o rapaz e sorriu.
-De nada, mas isso enfatiza que não deve entrar na casa dos outros sem ser convidado.
Viu como tudo em câmera lenta, viu o japonês levantar a arma e apontar bem para ele, como se tivesse querendo matar sem dó alguma, quando ouviu o tiro pulou para o lado e viu a criança que estava logo atrás dele e engoliu em seco, e soltou uma palavra parecida com “puta que pariu”, e ficou olhando para aquela menina morta de novo no chão e engoliu em seco, quase tinha feito suas necessidades sem ir ao banheiro, ficou um tanto atordoado quando viu aquela criança com a boca cheia de sangue, e sua perna quase dilacerada, observou o garoto e então se levantou e os dois foram andando em direção a porta, Mateus ainda engolia em seco pela situação passada, viu Pedro e Jessyca curiosos procurando saber o tinha acontecido, Mateus saiu calado e enquanto Eric parou e olhou os dois cadáveres para traz, e ficou um pouco calado.
-Pelo menos agora é certeza que na cabeça eles param... Bom, de qualquer jeito fumar “lá fora” quase custou minha vida.
Pedro olhou para ele e ficou com uma expressão sarcástica e fez um não com a cabeça.
-Pedir ajuda nunca é mal...
Eric respirou fundo e passou por Pedro.
-Tenta fazer isso com aquela linda mulher ali, querendo te dar um beijinho.
Eric entrou na outra casa para se limpar indo atrás de Mateus, Pedro caminhou para dentro da casa e viu aquela gorda no chão, fez um “eca”, e então saiu dali, quando voltou para a casa de Mateus ficou olhou os dois na área de serviço e ficou quieto apenas olhando, o Japonês estava perto da janela fumando tinha tirado o tênis e deixado ele do lado, tinha uma cara seria, Mateus estava de costas para ele com a cara no tanque molhando o rosto. Eric baforava a fumaça cinzenta para fora e então falava coisas que da distancia de Pedro não eram totalmente escutada por Pedro.
-Cara, uma coisa é certa, quando você mata uma pessoa, ela vai te acompanhar por toda sua vida, o pesar na consciência sempre vai te acompanhar, mas ali atrás, não estou certo de que era uma pessoa.
Mateus continuava lavando o rosto como se tivesse feito algo que nunca mais iria esquecer, continuava curvado com o rosto molhado no tanque, que estava com a torneira ligada.
-Sabe, Eu matei uns 17 quando caminhava para aqui, e para tirar isso da minha cabeça, tive que lembrar que essas coisas, não são pessoas, são algum tipo de demônio e que não tem nenhum peso na consciência em nos matar.
Eric saiu dali e jogou o cigarro pela janela, ele foi andando para o banheiro enquanto esperava Mateus, Pedro ficou olhando o rapaz enquanto ele continuava indo ao banheiro, cruzou os braços e naquela hora decidiu que se não saíssem daquela cidade iria acabar morrendo, Eric passou pela porta do quarto do dono da casa e viu que Guilherme estava cuidando de Hannah enquanto os outros tinham saído. Tudo estava uma bela confusão, todos trancados em seus próprios pensamentos, Guilherme abraçava Hannah no quarto, tentando acalmá-la, Jessyca era a pessoa mais quieta, ate por não querer falar muito, ela sentou no sofá olhando Mateus na área de serviço, Pedro na porta da cozinha, Mateus estava por enquanto atordoado o suficiente para pensar em qualquer outra coisa a não ser o que fez minutos atrás, Eric estava no banheiro tentando esquecer sua ânsia de vomito, provocado por aquela madame, enquanto isso Guilherme tentava fazer Hannah parar de pensar em coisas tão pessimistas, o dia fora daquele lugar, passava e já iria chegar a hora do almoço e os garotos simplesmente não se davam conta, Dentro do quarto, Guilherme sentava encima da cama e abraçado com Hannah enquanto o silencio fazia o quarto ficar mais sereno, Guilherme então colocou a cabeça da mesma em seu peito e esfregou os olhos, e então ouvio a garota sussurrar.
-Eu quero sair daqui, vamos embora daqui? Eu estou com medo...
Guilherme ficou calado e então ficou a observar o canto da sala e então beijou sua cabeça e passou a mão em seus cabelos, era curto, porem bom de acariciar, tirou a franja da menina do olho e então respirou fundo.
-Ok, eu prometo que vou tirar todos daqui vivos, mas precisamos ir com calma, então não se preocupe.
O garoto falou e logo respirou fundo, fez ela levantar sua cabeça e então olhou em seus olhos, aqueles olhos chamavam muito sua atenção, ele sorriu então e passou a mão em seu rosto.
-Bom, eu estou indo para a sala, tenho que falar com a Jessyca e ver se consigo fazer todos se acalmarem. Se quiser ir para lá...
Logo se levantou e saiu do quarto, fechou a porta logo depois e foi andando pelo corredor ate a sala e então acenou para todos e então olhou Mateus.
-Tá tudo bem com vocês?
Lembrou-se o que tinha feito Hannah ir para o quarto e então olhou para Jessyca e Pedro.
-Mateus e o Japa, quase se deram mal, mas ta tudo bem.
Pedro falou olhando para Mateus soltou um suspiro, Guilherme foi ate Jessyca então e sentou-se ao seu lado, ela segurava uma bolsa de gelo no seu ombro ainda. Ele sorriu e a menina retribuiu com outro sorriso belo, mas logo se desfazia.
-E então? Como você esta?
Ela sorriu e ficou calada um tempo pensando e logo tirou a bolsa, mostrou o ombro roxo, mas estava melhor do que no outro dia.
-É, eu to bem, só um pouco machucada, obrigada por perguntar...
Guilherme tentou sorrir e passou a mão e beijou o ombro de Jessyca, e logo sorriu para ela bagunçando seus fios de cabelo.
-Espero que sare agora.
-Vai sarar, ainda mais depois de agora.
Seu sorriso só ganhou força pela risadinha abafada que a menina deu e se levantou. Apenas Hannah sabia que aquele sorriso dele, era a sua mascara e que estava tão desesperado quanto qualquer um, logo ele foi andando ate seu amigo no tanque passando calado do lado de Pedro.
-O que aconteceu?
Perguntou Guilherme enquanto ia para o tanque e bateu de leve nas costas de Mateus, viu que ele apenas estava molhando o rosto e então Mateus levantou o rosto com o cabelo molhado e então olhou para a janela vendo tantos corpos na rua que parecia que tinha ocorrido uma guerra.
-Acabei de matar um deles, e sabe como é, Acabei de tirar a vida de alguém.
Guilherme soltou um suspiro e andou ate chegar ao filtro de água, já que a casa tinha a área de serviço junta com a cozinha, logo pegou um copo de água e bebeu.
-Sabe, Quando tava correndo, tentando salvar a Jessyca, junto com o Pedro e com o Eric, eu perdi as contas de quantas pessoas ou sei lá o que, eu matei, machadadas, tiros, e essas coisas, e sabe, eu sempre salvei a vida de alguém que era importante para mim, e isso fez valer a pena. Agora eu lhe pergunto, Queria que aquele monstro tivesse sobrevivido e ter matado o Eric?
Mateus fez um sinal positivo com a cabeça, mas se irritava um pouco por ele colocar de maneira tão simples, já que aquilo era algo tão mais complexo, porem deixou passar e então fez um sim com a cabeça foi ate a geladeira e pegou um refrigerante colocando num copo.
-Ok, Eu só precisava de um tempo, melhor voltarmos a discutir o que vamos fazer, não da para ficar na minha casa para sempre, já que a comida já esta acabando, arroz acho que já acabou...
Guilherme olhou e então deu com os ombros, foi andando em direção a sala, e fez um sinal para ele vir junto, logo mais a frente se sentou no braço do sofá e olhou Pedro que ficava a observar o garoto, logo Eric apareceu pelo corredor e percebeu a pequena reunião, e ficou quieto olhando para todos ali, Jessyca ficou olhando as pessoas ali, e logo se aproximou mais da ponta do sofá, apenas Hannah não tinha aparecido ali, estava um pouco quieta no quarto.
-Seguinte, Temos que dar um jeito de sair desse lugar, Aqui esta mais perto da ponte do Bragueto, passagem pra sobradinho, meu pai tem uma casa em sobradinho da pra todo mundo ficar lá por um tempo, e depois todos voltamos pra suas devidas casas e Mateus fica comigo.
Pedro então levantou um dedo como se fosse falar algo e arqueou uma sobrancelha.
-Ou senhor informação, Já que não estava aqui, se lembra daquelas horas que passou trancado no quarto dando uma de anti-social, nos assistíamos a TV aqui, e pela primeira vez, soubemos que estávamos fudidos...
Guilherme fez uma cara de quem não entendeu e então Mateus se sentou encima da mesa e olhou bem para ele.
-Cercaram totalmente Brasília, Não há maneiras de sair cara, estamos no fim da linha, estão construindo Muros alem da cerca, Esta um caos, lá fora, sem contar que aquelas, coisas, estão todas nas extremidades da cidade, chegar perto é quase que pedir pra morrer.
Guilherme sentiu um frio na barriga e abaixou a cabeça, esfregou os olhos como se estivesse cansado.
-Olha, Eu prometo dar um jeito de tirar todos daqui, tem que haver um jeito de sobrevivermos, Por agora temos que arranjar comida...
Eric então engoliu o biscoito da mão e apontou um dedo para Mateus e então mostrou um pedaço de biscoito da mão.
-Quando eu entrei na porta do lado tinha algumas coisas, e esse biscoito, e sinceramente, acho que do jeito que anda as coisas, não creio que vão se importar se agente arrombar algumas portas e pegar comida, eu e o Mateus podemos dar uma volta no prédio e pegar alguma coisa, agora ele virou um tipo de guarda-costas.
Mateus sorriu e agradeceu pela parte que lhe tocava mas relutou um pouco sobre a idéia, mas todos concordaram em fazer aquilo, Mateus então não teve outra opção, eles se armaram para caso encontrassem alguém a mais para atrapalhar os planos, Eric com uma arma 45 na mão e Mateus com um taco de baseball de ferro, tinha ganhado do pai no ano passado, eles foram por sorteio, e começaram pelo segundo andar do mesmo bloco, já que o apartamento o qual Mateus morava era o 102, enquanto isso Pedro começava a preparar algumas coisas para o almoço, com ajuda de Guilherme, o qual estava longe em seus pensamentos, iria levar um tempo para se adaptar.
-Cara, nunca pensei que iria fazer uma loucura dessas, entrando no apartamento dos outros, arrombando portas com um taco de baseball...
Eric continuou calado e então tentou abrir a porta, mas como de se esperar a porta estava trancada, Eric travou a arma e colocou na cintura, pegou o bastão das mãos de Mateus, e logo posicionou e levantou o mesmo, acertou uma pancada na maçaneta que a fez cair no chão, depois ficou um pouco de lado e acertou a porta com força fazendo um belo estrago, sorriu pra Mateus que ficou quieto e deu um pequeno espaço, chutou a porta para frente fazendo ela ser arrombada, ficou presa nas dobradiças ainda, ou pelo menos algumas, logo eles entraram e então Eric retirou a arma da cintura, e fez um sinal para ele olhar a casa primeiro, Mateus era um tanto leigo mas sabia que eles não iriam entrar para pegar as coisas sem dar uma revistada na casa. Eric rondou a casa com a arma empunhada enquanto Mateus foi ate a cozinha e a área de serviços, Mateus não encontrou nada então foi ate a dispensa e começou a procurar algumas coisas, não se importou muito com Eric, já que ele sim estava armado, logo ouviu o rapaz na cozinha.
-Achou alguma coisa?
Eric deixou a arma na mesa e foi ate um lado e sentou encima da mesma, tinha um pequeno papel em mãos, e lia com atenção e então Mateus se levantou e foi ate ele entortando a cabeça para ler também.
“Os sintomas São dor e descoloração e imediata descoloração da ferida, Febre alta tremores demência, vômito e dor aguda nas articulações, com o tempo a parte inferior do corpo é paralisada e logo vem o coma. Isso acontece com uma pessoa com perfeito estado de saúde, outras pessoas com pouca saúde, isso pode durar até por volta de horas, porem indesejavelmente isso não acaba por aqui, o paciente sempre tem uma reanimação violenta, ele começa a se comportar como os outros, minhas pesquisas mostram que é um tipo de vírus conhecido como Solanum, conhecido algumas partes da África, e parte do oriente médio. O Paciente parece ignorar dores, choques e qualquer outra indução a dor, o único jeito de deter um infectado é destruído ou impossibilitando o trabalho do cérebro.”
Eric olhou com uma cara estranha e ficou a pensar sobre aquilo enquanto Mateus ficava calado, lendo com não muita importância mas já sabia que da próxima vez, qualquer tentativa, a cabeça será seu alvo, não importa o porque, mas funcionou ate agora.
-Parece que era um medico do HRAN, estranho, bom já que vamos ficar um tempo aqui, pegue comida, eu vou procurar alguns remédios...
Falou Eric enquanto deixava o bilhete encima da mesa e fora para o quarto aonde achara o mesmo, vasculhou o quarto a procura de remédios, enquanto Mateus procurava por comida na cozinha e na dispensa. Já tinha separado algumas coisas quando ouviu Eric colocar uma caixa encima da mesa, cheia de remédios, ate para as coisas mais simplórias, Eric murmurou a palavra “médicos”, e logo respirou fundo e olhou para o garoto que tinha achado farinha, alguns sucos, um saco de 5 kg de arroz e apenas isso ate ali, alguns doces na geladeira.
-Escuta Mateus, vou levar as comidas pra lá e você checa a casa do lado...
Falou tranqüilo e puxou a arma e colocou a mesma na cintura enquanto Mateus olhou para a porta meio emburrado, mas teria que fazer o começo daquilo sozinho, logo colocou algumas coisas encima da mesa e pegou o bastão no chão e respirou fundo.
-Oh inteligência, leva as coisas pelo menos...
Resmungou e Eric colocou a mão na testa e voltou rindo, enfiou o bilhete no bolso e foi andando em direção a porta com a caixa e as comidas logo encima, Mateus foi para a próxima porta e tentou abrir, mas também estava trancada, praguejou e posicionou o taco de baseball, antes de tentar arrancar a maçaneta olhou bem para a porta, engoliu em seco, e logo Mateus desceu o taco, a primeira tentativa fez a maçaneta apenas ficar torta.
-Droga, como ele conseguiu de primeira?
Resmungou e então bateu mais duas vezes ate conseguir arrancar a maçaneta, logo ficou de lado tentando quebrar a porta, quando conseguiu, segurou o taco firme e bateu mais uma vez na porta, logo chutou a porta não conseguiu abrir tudo, nesse momento se arrependeu de ter saído na academia um ano atrás, mais uma vez tentou chutar e só abriu uma brecha grande o suficiente para a passagem com uma tacada nas dobradiças, quando conseguiu passar acendeu a luz da casa e olhou a sala pequena, fez um bico e ficou olhando para os lados como se reunisse coragem para andar.
-Ah droga, mau dia, mau dia, mau dia.
Resmungou o garoto e então foi andando, olhou parcialmente na cozinha e acendeu a luz da mesma foi então que entrou e caminhou ate a área de serviço e então não viu nada, deu com os ombros e voltou com o taco em posição ainda, ainda andando devagar, como em todos os filmes que ele assistia, sabia que era daquele jeito que o mocinho entrava em apuros, tentando salvar o dia sozinho. Ele pisou no corredor e no mesmo acendeu a luz vendo um rapaz no final do corredor de pé, com a cabeça baixa cambaleando, Mateus teve a certeza que aquele rapaz era um deles quando ouviu aquele grunhido horrendo.
-Ta, é agora, hora de salvar o dia, quero ver um home run com a cabeça desse infeliz.
Mateus tentava falar sozinho para ter a coragem de prosseguir, mas congelou ao ver o rapaz virando lentamente, ele apenas tinha uma mordida no braço o resto estava pelo menos inteiro, a cara pálida dele e seus olhos estranhamente revirados, ele fazia movimentos com as mãos parecendo que queria segurar algo, ele levantou as mãos como se quisesse segurar o garoto, ele fechou os olhos por um segundo e pensou varias vezes que acertar a cabeça daquele monstro não seria mal algum então abriu os olhos, e se afastou um pouco como se esperasse ele, ficou um tanto apreensivo, sua adrenalina foi nas alturas e então ele fechou a cara e quando teve espaço o suficiente para acertá-lo virou o taco tão rápido que nem ele esperava tanta força, fez a cabeça do monstro espirrar sangue por toda a parede e cair no chão virado, logo ele olhou ele no chão ainda se movendo, e então ele segurou o taco com força e bateu varias vezes na cabeça dele ate ele parar de se mexer mesmo pelas tacadas do garoto, ele arfou um tanto aliviado por poder fazer aquilo, e logo se afastou sentando no sofá e respirou fundo engoliu em seco e foi ate a pia da cozinha e lavou o taco, era um tanto quanto nojento, ele tinha ate receio de tocar no taco depois de ser lavado, logo ele foi ate o corredor novamente e andou em direção as portas, pelo jeito, não tinha muito o que fazer, ele segurou o taco com força mas felizmente o rapaz estava sozinho em casa, ele olhou a cama de casal, no único quarto que parecia possível dormir, ele entrou no mesmo e foi ate sua gaveta, viu varias coisas, camisinhas, telefones alguns pacotes brancos, mas não se importou, fechou o mesmo e logo se levantou sem querer derrubou o travesseiro, quando ele foi colocar o mesmo de volta ao seu lugar viu uma arma, que mais parecia com o famoso calibre 38, ficou um pouco com medo de pegar, quando segurou a arma na mão sentiu um receio, como via nos filmes sabia que ela abria de lado, ele abriu para ver se estava carregada, e realmente tinha todas as balas pronta para serem disparadas, tirou as balas para não ter perigo e levou tudo para a cozinha deixando encima da mesa e logo começou a procurar o motivo pelo qual estava ali.
Quando Eric entrou olhou aquele sangue inteiro e embrulhou o próprio estomago e olhou para o garoto na cozinha, e assobiou de leve.
-Desculpa por te deixar sozinho, Não esperava que iria ter...
O Japonês parou de falar ao ver a arma ali encima e a pegou junto com as munições olhando como era.
-Caracas, é original, aonde achou isso?
Os garotos voltaram para o local, e Eric ensinava como usar uma arma para Mateus, que apenas aceitou a idéia pela situação pela qual estavam passando quando voltou estavam todos na sala inclusive Hannah que tomava água na mesa do lado de Guilherme que tinha acabado de ler o pequeno papel escrito pelo médico do HRAN, parecia que o clima tinha ficado mais pesado, Guilherme bagunçava o próprio cabelo tentando achar a solução para algo e então olhou para traz, caminhou ate sofá e ficou de joelhos nele olhando para baixo, Eric deu graças a deus que pelo menos Pedro estava descontraído, estava na cozinha cantando enquanto cozinhava, tentava cantar a musica mais idiota para animar o pessoal, e parecia que a comida estava começando a cheirar o suficiente para deixar todos com fome, não pensou duas vezes e foi para a cozinha.
O garoto começava a pensar no que diabos era aquilo, ali olhando da janela parecia tudo deserto, mas vinha alguns daqueles monstros perambulando por ai e comendo pedaços de gente, ele simplesmente sentiu que aquelas imagens nunca mais seriam esquecidas, que mudariam seu comportamento para sempre, ou pelo menos ate tirar todos dali, ele fechou os olhos e tentou ficar virado, para não se desesperar e deixar transparecer a angustia que estava sentindo.
