
HRAN, 21 horas após incidente na quadra 405 norte.
A enfermeira arrumou os volumosos seios e saia do banheiro, cor de pele morena, um tanto quanto acima do peso, cabelos amarrados para traz em um coque, como todas as enfermeiras dali. Tinha acabado de dar óbito ao bombeiro Victor que tinha contraído uma infecção tão grande que deixou seu braço inteiro preto, e uma febre anormal de 42 graus. Talvez ela tivesse sorte, coisas como aquela não aconteciam sempre, estava presenciando um novo tipo de doença, de qualquer jeito ele morreu rápido, em um dia depois, simplesmente não entendia como aquilo aconteceu.
Voltou ao necrotério, e resolveu voltar aos relatórios que tinha que fazer, ela estava cansada e aquilo tudo revirava sua cabeça ao avesso, malditos eram aqueles repórteres que não saiam da porta do hospital, se não fosse por eles, estaria em casa descansando após suas cansativas 5 horas de trabalho, logo ficou um pouco perdida em seus devaneios, e lembrou que tinha que preparar logo o atestado de óbito dos outros bombeiros, ambos estavam em coma, e alguns já morreram, mesmos sintomas, mesmas passagens , só que em alguns era mais rápido, As amostras de sangue não tinham saído ainda, “Ah, aqueles preguiçosos da patologia.” Resmungava em seus pensamentos, percebeu então que seu devaneio tinha durado duas horas, então colocou a mão no teclado do computador para começar a escrever, foi então que ouviu um vindo da sala de Autopsia , pensou que era o Senhor Marcelo, ele sempre trabalhava tarde mesmo, devia estar trabalhando no corpo de Victor, e os barulhos continuavam, parecia que ele estava mexendo em seus órgãos, e aquilo deu-lhe uma gastura apenas de pensar, mexeu a cabeça de um lado para o outro e então continuou escrevendo ate os barulhos a incomodarem tanto que teve que se levantar e ir falar com Marcelo, se levantou e foi ver o velinho que ali trabalhava, abriu a porta do outro lado da sala , e antes mesmo de abrir por completo aquele cheiro tão forte invadiu suas narinas e fez quase cair para traz , ela abriu a porta inteira e viu no canto da sala, Victor estava agachado por cima do corpo do pobre velinho Marcelo, viu que o sangue se espalhava por toda a sala, pobre rapaz, não teve ter tido tempo nem de gritar por ajuda, Horrorizada de mais para gritar ela viu, devagar o bombeiro despido se levantou vagarosamente tinha um corte na barriga , aonde já estava quase podre, sangue em sua boca , olhos totalmente esbranquiçados, sem alma , horrendos, soltou um grunhido que fez ela tentar abrir a boca para gritar mas seu pânico tinha tomado ate sua coordenação motora, ela nem se quer movia seus pés, percebeu sua boca mastigando os intestinos do velho, e quase colocou o seu lanche para fora, se tivesse tido tempo vomitaria com absoluta certeza , mas mal pode ver quando o bombeiro se jogou encima dela , e começou a morder sua carne, gritou tão alto e tão forte que o hospital todo deveria ter ouvido, e foi ai que a dor fez a mulher perder a consciência.
Fundos do HRAN, 3 horas após o incidente interno do hospital.
O portão meio aberto ainda balançava, um casal estava ali perto, embaixo das arvores, a mulher vestida com um jaleco branco, seu cabelo loiro fazia um coque e seus óculos lhe davam um ar de seria, sorria em meio os abraços com seu namorado, com certeza a mais bonita enfermeira de todo o hospital, Gisele, estava escondida ali, já que sair do hospital estava um pouco complicado, poucos metros dali, a entrada principal do hospital de base estava uma multidão de reportes, pessoas, policias e bombeiros, enquanto os dois estavam no lugar mais calmo dali, a noite fria fazia com que a situação dos dois ficasse mais quente.
O barulho do portão se abrindo arranhou os ouvidos dos dois e fizeram uma rachadura do clima então Gisele virou rápido para ver quem abriu o portão.
-Me desculpe eu só...
Ela se apressou em se desculpar, porém viu o paciente correndo para o outro lado, com a mão no braço segurando o curativo, logo ele caiu mais adiante, Gisele então olhou o namorado e ergueu a sobrancelha e fitou a situação, ela então correu ate mais à frente e virou o rapaz, era moreno e com cabelos ralos, estava completamente alucinado e então o rapaz chegou por traz tentando saber o que estava acontecendo.
-Vem me ajuda a levar ele para dentro.
O rapaz tinha um mau pressentimento sobre aquilo deu a volta nos dois e se abaixou para carregar ele, mas percebeu que lentamente ele abriu os olhos, já sem silhueta, com os olhos brancos arregalados, sua pupila estava completamente irreconhecível e então ele olhou nos olhos da enfermeira, aquele mesmo olhar sem alma de todos os outros pacientes que já tinham voltado do coma profundo, ele então segurou a mulher e mordeu uma grande parte do seu ombro, com o susto o rapaz apenas empurrou a menina para ela se afastar o Maximo possível e olhou o que o rapaz tinha feito a sua namorada e viu aquele sangue, foi tomado por um ódio profundo, levantando-se e tirando uma arma calibre 45 da cintura, sua face meio barbada olhou com desprezo e deu três tiros no peito dele, mas mesmo aqueles tiros não o pararam o moreno se levantou e voou encima do rapaz com a arma, uma única mordida foi o suficiente para deixá-lo completamente sem forças, uma mordida bem no lado do pescoço e perto da orelha, Gisele chorava de dor encostada no tronco da arvore e pedindo por ajuda, quando tocou em seu ombro sentiu quase o osso puro , e aquilo a fez desesperar-se completamente acabou de ver o namorado morrer, logo na virada da rua, vários policiais corriam em direção a enfermeira, nessa noite um rapaz foi preso e levado para delegacia mais próxima, sendo a do Venâncio 2000 perto da rodoviária, era um bombeiro do acidente, a enfermeira foi internada imediatamente, e seu namorado morreu na mesma hora sem chances de ser levado para o hospital, foi levado para o IML, para que pudesse fazer exame de corpo e delito.
W3 norte, caminho do IML
Dia cansativo, iria ser a ultima volta que Carlos iria fazer, um rapaz esguio, barba mal feita e um tanto pálido, estava trabalhando como motorista do IML mas aquilo cansava, era todo dia um morto, essa viagem estava fazendo sozinho, seu ajudante não tinha aparecido para o trabalho, ele então parou no sinal, e ouviu algo atrás da ambulância, coçou a cabeça e olhou para traz vendo tudo normal, ele resmungou.
-Coisa de louco rapaz...coisa de louco.
Resmungou mais uma vez e virou para frente, a pista estava um pouco vazia, já que era tarde da noite e então ele colocou o pé no acelerador, foi então que ouviu o barulho logo atrás dele, virou um tanto assustado e viu o rapaz em pé, ele olhou para a rua mais uma vez e viu uma luz forte e virou de uma vez, entrou com tudo dentro duma concessionária de automóveis uma bagunça estava prestes a começar e ninguém fazia idéia do que estava começando naquele momento.
5 da manhã, Concessionária Disbrave 503 norte.
-Droga, droga, droga...
O faxineiro trancou a porta da gerencia e abaixou-se do lado da porta ficando um tanto quanto assustado, acendeu a lanterna olhando em volta e tentou manter a calma, foi quando ouviu aqueles tapas ensangüentados no vidro acima de sua cabeça, sentiu aquele grunhido gelar sua alma e então começou a orar, os policiais do lado de fora, não conseguia abrir caminho para entrar na loja, com a bagunça feita por aquela maldita ambulância.
- VÂO EMBORA.
Foi então que o vidro se quebrou e os três homens, dentre eles, aquele que ele trabalhava junto há algum tempo atrás e que simplesmente virou aquela coisa, caíram com no chão depois de estilhaçar o vidro, ele tinha certeza que era o diabo querendo sua alma, ele correu mais para frente e virou para aqueles demônios e levantou a mão começando a citar passagens da bíblia, então o grito de dor e agonia foi ouvido pelos policiais e bombeiros do lado de fora que se apressaram ainda mais a abrir caminho pelos escombros.

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