quarta-feira, 7 de abril de 2010

Capítulo 4 : Amigos são sempre bem vindos.





Distrito Federal, Plano piloto, L2 norte, 405

Deitado, com o controle da televisão em suas mãos, olhava para a mesma em um de seus devaneios, dia longo, sem ter muito o que fazer, estava passando uma temporada na casa de seu amigo enquanto seus pais estavam fora do estado, viajando pelo nordeste. Guilherme então desligou a televisão, pois já estava farto de todos aqueles noticiários que apareciam falando da epidemia que surgira em Brasília.

-Daqui a pouco isso deixa de ser noticia que nem a gripe suína.

Disse e se espreguiçou olhando para a mesa, Mateus estava mexendo em seu note book encima da mesa de jantar, a casa não estava muito organizada, mas por causa da viagem que seus pais tinham feito, tinha comida para pelo menos um mês na dispensa.

-Pois é...

Retrucou Mateus sem prestar muita atenção, mexia no computador e ficava com a mão no rosto um tanto desanimado com aquilo tudo. Mas logo Mateus decidiu quebrar o silencio e então olhou para ele.

-Você age como se não tivesse visto aquela, coisa...
Ele então levantou e foi para a cozinha abrindo a geladeira vendo o que tinha para comer.

-Ah cara, não começa com esse papo de novo, to cansado de você tentar ser minha mãe e tentar me consolar, já vi coisas piores...

-Tá bom então, senhor já vi de tudo...

Antes de Guilherme falar qualquer coisa, conseguiu ouvir a musica de seu celular tocando, um tanto alto, era mania de colocar toque do seu celular alto como de seu pai, então começou a andar em direção ao quarto e então viu o nome, murmurou o nome “Hannah”, deu com os ombros e então atendeu.

-Hannah, quanto tempo...

Um silêncio do outro lado da linha se fez e então ela falou baixo.

-Posso te encontrar?

Ele pensou um pouco, estava com uma preguiça de sair de casa muito enorme, mas já estava dias preso ali, então decidiu se encontrar com ela ate por preocupação, normalmente ela respondia ao telefone com “amor” ou rindo, ele pensou no problema que ela estava passando em casa, então já foi abrindo sua pequena mala no chão e puxou algumas roupas para se trocar.

-Olha como to na casa do Mateus, vem aqui pro plano, perto do shopping, que tal?
Guilherme sugeriu, e logo ouviu a voz dela concordando.

-No pátio, talvez o Pedro também vá...e você disse que vocês estão sozinhos ai na casa dele, né?

-É sim, por quê?

-Por nada...

Ela falou e logo depois desligou, ele olhou para o telefone como se resmungasse, logo jogou o celular encima da cama, pegou a toalha e foi andando ate o banheiro e antes deu um grito para avisar ao seu amigo que iriam sair, logo entrou no banheiro e foi tomar seu banho, Mateus resmungou mas, sabia que ele não iria mudar de idéia, ele fechou o Note book e logo foi começar a arrumar suas coisas.

Inicio da W3 sul, Pátio Brasil.

Já tinha esquecido como aquele lugar o dava náuseas, era um tanto sufocante e cheio de pessoas mais estranhas que ele mesmo, ele e Mateus andaram um pouco juntos e logo viu o garoto grande e careca a frente, de cor da pele escura, Era Pedro, vestia roupas escuras como sempre, seu coturno o qual deixava seu passo ainda mais pesado, um sobretudo como de costume dele e uma camisa preta sem estampa, como já estava quase a noite ele nem ao menos suava com todas aquelas roupas.

-Opa, olha quem chegou, a Hannah tá te procurando por ai...

Isso fez Guilherme ficar um pouco encabulado, sempre chegava antes que as outras pessoas, pela primeira vez tinha chegado atrasado, ele então cumprimentou Pedro e deixou ele a falar com Mateus, suas preocupações com Hannah eram tão grandes que esquecera de que eles dois tinham acabado de se conhecer, logo foi andando em direção contraria e então olhou de longe, era a primeira vez que via a menina sozinha, como era de noite tinha tanta gente naquele lugar que era difícil se destacar, ele então foi andando em direção a ela, ela então o abraçou quando viu ele e ficou quieta por um tempo. Então Guilherme olhou para os lados e então puxou a menina para um canto qualquer, entrou no único lugar o qual não tinha ninguém, era um enorme corredor que tinha atrás do shopping, ele foi para trás de uma pilastra e então passou a mão em seu cabelo a abraçando novamente.

-Então, quer dizer o que esta acontecendo?

Ela apenas parou e respirou fundo e olhou para ele, sem lagrimas nos olhos, apenas sem o mesmo brilho de antes, e então ficou um pouco quieta olhando ele respirou fundo e começou a contar o que aconteceu.

Na frente do shopping aonde tinha toda aquela aglomeração de pessoas alguns bebiam ate cair, outros arranjavam brigas, era normal, mas ninguém olhava feio para Pedro, e Mateus ficava com ele e seus amigos com um pouco de precaução, e também que não conhecia ninguém dali, tantas tribos em um local só, e aquele dia era um dos dias mais lotados, aquele local ficou sem tantas pessoas por um bom tempo, logo o garoto ficou calado um pouco vendo Pedro fazer suas piadas infames e rir de si mesmo e então se encostou no apoio que tinha logo atrás de suas costas e ficou tentando se enturmar.

-Aqueles dois, o que devem estar fazendo?

Perguntou o garoto resmungando da situação, estava querendo ficar em casa naquele dia, logo Pedro olhou para ele colocando a mão na cintura e rindo de um jeito um tanto particular.

-HAHAHA, vai dizer que não sabe? Garoto ingênuo...

Falou num tom de humor e ficou olhando para os lados, e logo já mudou de assunto e Mateus ficou um tanto sem saber o que falar, sabia que deles dois não podia esperar uma coisa tão seria, mas sabia lá o que poderia acontecer. O garoto então olhou nos olhos da menina e respirou fundo, ficou um tempo calado ouvindo apenas ela falar.

-...Então com essa discussão, meu pai estourou comigo e me mandou para fora de casa, minhas coisas estão com meu amigo, será que você podia deixar eu passar um tempo com vocês? Pelo menos até a poeira abaixar lá em casa...

Ele ate pensou em citar que a casa não era dele mas, não sabia dizer não para a menina, logo fez um sim com a cabeça e sorriu de lado.

-Bom eu converso com o Mateus, E um pouco de presença feminina não fará mal a ninguém...

Ela então sorriu e o abraçou e conseguiu ouvir o pequeno barulho ali perto, alguma coisa fazia um barulho que incomodava, ele então olhou para trás e não viu nada, olhou a menina e pediu para ela esperar, mas sabia que ela iria atrás dele, foi andando entre as pilastras daquele imenso corredor, exatamente no meio do corredor, tinha uma portaria que servia de entrada para funcionários dos escritórios do Shopping, aquele barulho ficava mais alto, a risada da amiga logo a suas costas indicava que ela pensara besteira, ele rio da situação mas um cheiro invadiu suas narinas e fez com que seu estomago embrulhasse, logo aquilo trazia lembranças e sua mente ficou tão complexada que ele travou os passos, e então olhou para ela mais serio que fez a menina perguntar o que tinha acontecido, ele apenas fez um não com a cabeça e então chegou ate a portaria, a porta de vidros escuros fazia com que eles tivessem que abrir a porta para ver, ele então empurrou a porta devagar e abriu por completo logo em seguida, viu na escada , alguém ajoelhado, sangue por todos os lados e as pernas de alguém estirado com o resto do corpo aonde eles não podiam ver, e a pessoa ajoelhada estava com o rosto escondido, mas o cheiro era de tomar o lugar, ele sabia o que era aquilo, então deu meia volta e puxou a menina correndo deixando a porta bater, aquilo fez a menina ficar com tanto medo que ela meio que paralisou, ele fez uma cara de desaprovação e pegou ela no colo e tentou correr o Maximo possível com ela pedindo para descer, parou logo na saída do corredor e avisou um segurança, olhou para a menina ainda tão assustada que seus olhos indicavam que ela ficara presa naquela visão.

-Hannah....HANNAH, vem vamos pegar suas coisas e sair daqui...

Falou e logo viu pela primeira vez pequenas lagrimas saírem de seus olhos, ele pegou ela pela mão e foi puxando a mesma para o prédio ao lado para pegar suas coisas, era uma mala cheia de roupas e coisas que mais precisava, logo que pegou a mala viu um tumulto tão grande que pessoas gritavam enquanto corriam, seu peito encheu um pouco e já veio na cabeça o que era, aquela noite não saia de sua cabeça, já passara uma semana depois do incidente, e todas as noites antes de dormir via aquelas coisas em sua cabeça, foi ai que se tocou, que aquilo não seria esquecido, era apenas o começo, sentiu um aperto no coração com aquela mala pesada, e então começou a puxar a menina para onde seus amigos estavam e junto com a mala na mão ele ia tentando correr em direção contraria a multidão.

Mais na frente encontrou Pedro e Mateus estavam quase se envolvendo em uma briga com alguns rapazes em bando que tinham a sua cabeça raspada, ele não ligou apenas puxou os dois junto com a Hannah e foram andando para a parada.

-Vamos temos que sair daqui...agora...

Pedro apenas deu atenção ao ver que a menina estava quase chorando atrás dele, e então Pedro acompanhou eles ate a parada e então ele deixou Hannah ficar sentada na parada por um tempo e voltou a olhar Mateus.

-Cara eles estão aqui, quero ir embora, ta uma confusão da imensa lá atrás e eu preciso pegar um ar...

Pedro sacudiu o Guilherme pelos ombros e olhou em seus olhos, tentando chamar atenção dele.

-Calma ai, dá para explicar isso direito?

Ele olhou para Pedro e tentou começar a explicar, mas logo chamou o primeiro circular que passou e arrastou Pedro para dentro também, mesmo ele querendo ficar, passaram pela roleta e Guilherme pagou a passagem dos dois convidados, logo se sentaram mais no fundo do ônibus e logo o garoto começou a falar, tentando deixar a conversa em particular, explicou algumas coisas para Pedro que ficava tentando resolver as coisas com mais calma, e ouvir cada explicação, mas no fundo não tinha uma explicação lógica depois de ouvir aquilo, achando um tanto duvidoso decidiu então parar na casa de Mateus, e sugeriu ir num cachorro quente que tinha ali perto.

Distrito Federal, Plano piloto, L2 norte, 405

Eles então subiram e Pedro deixou sua mochila e seu sobretudo encima da mesa mesmo, Guilherme andou ate o quarto de Hospedes aonde Hannah iria ficar provavelmente e deixou sua mala do lado da cama, ele então voltou e viu a menina.

-Você esta bem?

Ela não falou muita coisa apenas fez um sim com a cabeça e olhou os garotos ali, ficou sem saber o que falar afinal, semana passada foi a semana que tinha conhecido Mateus e já estava hospedada em sua casa.

-Sabe não estou com fome, mas não quero ficar aqui sozinha...

Guilherme então colocou a mão na sua cabeça e olhou a bagunça da cozinha e deu com os ombros.

-Bom damos um jeito mais tarde com essa cozinha e preparamos alguma coisa para você comer, mas vamos descer, eu te empresto meu casaco...

Ela então deu uma risada abafada com as mãos no meio da perna para abafar o frio que sentia e sorriu.

-Vou ficar parecendo um machinho...

Ela então vestiu um casaco preto do garoto, e então desfilou com as mãos quase todas cobertas pela manga do mesmo e sorriu um tanto mais calma e com um sorriso belo e esbranquiçado, logo eles desceram, e andaram na quadra ate o cachorro a barraca de cachorro quente que ficava perto de uma igreja, se sentaram lá e pediram algumas coisas, Guilherme então começou a falar sobre o dia em que o incidente aconteceu, de forma mais racional, ele então colocou os cotovelos encima da mesa e passou a mão pelo rosto jogando os cabelos para traz se desfazendo da franja.

-Sabe Acho que isso não vai terminar por ai, tenho um mal pressentimento...

Falou Guilherme enquanto percebia o silencio de Mateus enquanto a isso, logo viu os cachorros quentes chegando e olhou Pedro por um momento.

-Qualquer coisa, avisa, sabe que amigos estão aqui para isso, ok?

Ele disse sim com a cabeça e sorriu, comeram o cachorro quente, e a garota apenas roubava mordidas dos outros cachorros quentes, depois de mais ou menos meia hora, jogando conversa fora logo se levantaram e deixaram o dinheiro encima da mesa e começaram a andar calados de volta para o apartamento.

-Pedro, quer dormir ai ?tem espaço suficiente...

Ele então olhou e colocou a mão no queixo e deu com os ombros mostrando não se importar.

-Por mim, eu to com minhas roupas ai mesmo, ia dormir fora já, ate amanha dá para agüentar...

Guilherme andava com os braços por cima do ombro de Hannah, que costumava sorrir ao olhar para o céu calada, talvez pelo acontecimento de mais cedo, Mateus andava mais a frente, Pedro olhava para o parquinho ainda destruído por parte do avião, e sentiu um frio na barriga, Guilherme olhou para a garagem no prédio vizinho e sentiu um calafrio, e se calou enquanto passava por lá.

Um comentário:

Iscai disse...

Fiz um comentario no capitulo 1 depois da uma olhada la, T+